Chapeuzinho Vermelho corria apressada pelos corredores do castelo de Apollo, a residência oficial do conselho honorário de contos de fadas. Ela havia sido convocada até ali para discutir ao lado de vários outros personagens de histórias clássicas sobre um novo inimigo que ameaçava destruir todo o mundo encantado.
Ao abrir a porta, se deparou com todos os membros voltados com atenção para Rapunzel, que, ao que parecia, estava falando algo muito sério. Foi um dos três porquinhos que quebrou o silêncio:
– Mas, como vamos destruir um intruso sem saber quem é?
– Não sei ao certo, querido porco, mas temos que tentar. Agora que estou no comando após as histórias de Cinderela e Branca de Neve serem devoradas - Rapunzel disse atônita - quero esforço total, uma vez que minha história é a próxima a ser devorada.
Chapeuzinho olhou em volta e reconheceu vários contos: Os Três Porquinhos, Bela Adormecida, Rapunzel, João e Maria e até Mickey e Minnie estavam presentes.
– …o devorador de tinta esta acabando com nossas histórias – dizia Minnie desesperadamente.
Chapeuzinho se apressou a sentar e ergueu o braço, em súplica para dizer algo.
– Alguém quer dizer algo sobre esse infortúnio? – ergueu a voz, Rapunzel. Todos esperavam os conselhos de personagens mais velhos. Por ser a mais nova, e também não ter príncipe encantado como as outras princesas, nunca ouviam Chapeuzinho.
Chapeuzinho se ergueu em um salto e disse:
– Eu tenho algo a dizer sobre… – e foi interrompida por um rugido assustador e melancólico.
A informação que Chapeuzinho tinha era que, havia um vilão no meio de todos aqueles mocinhos, só não sabia exatamente quem era.
Com o estrondo do rugido, a abóbada enfeitada com lustre, iluminados do castelo, estremeceu. Havia alguém que fugia ao olhar esperto e jovial de Chapeuzinho. Bela Adormecida permanecera em um sono profundo no canto do Conselho, até que então, de súbito, levantou, pulou por sobre as cabeças de João e Maria e escapou pela porta de madeira da sala, deixando vários olhares interrogativos em torno da lareira.
–Ela é a espiã… – gritou a voz infantil da pobre Chapeuzinho – o monstro esta aqui, corr… – e então as vidraças principais de vista para o reino explodiram.
O monstro que ali surgiu, tinha dentes enormes, olhar cansado e patas com garras afiadas.
“Esse não é mais um conto de fadas”, pensou Chapeuzinho.
E não era mesmo, portanto seu final feliz, não era garantido. Em uma boca sepulcral, o monstro comedor de tinta, devorou todos os contos de fadas.
E esse monstro, atualmente, se chama velhice.
É fogo... ninguém consegue fugir da velhice, mas creio que só os fracos deixam com que a velhice interfiram em sua imaginação e sonhos... Não deixa de ser uma história verdadeira, mas não algo irrevogável...
ResponderExcluirPois é, a carne envelhece, mas só deixa de ser jovem quem realmente quer. Obrigado!
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