terça-feira, 3 de janeiro de 2012

A Maldição da Espécie. (parte um)

contador de visitas
Jobbörse Frankfurt am Main
 
  Pouca gente sabe, mas existe um mundo paralelo ao nosso redor.
  Quando o antigo Egito ainda era uma criança inocente e os seres humanos estavam apenas iniciando a civilização, o Império já possuía um comandante e ele não era um faraó. O mundo era reinado pelos felinos, os gatos. Seu comandante, ou melhor, sua rainha, era a Deusa Gata, Bastet, que após se libertar do domínio de Rá, decidiu criar sua própria raça, seu próprio reino, escravizando os humanos, a criação primordial de Rá, como vingança pela sua substituição pela deusa leoa, Sekhmet.
  Bastet liderava com crueldade, obrigando os humanos a projetar e a construir templos de adoração, cidades e estátuas, dentre elas, a Esfinge, que era um retrato da própria Deusa. Os gatos reinavam o caos e construíram a base da sociedade egípcia. Até os homens encontrarem seu melhor amigo.
  Anúbis, o deus cão, apiedado dos humanos devido à crueldade do reino de Bastet, decidiu dar-lhes uma dádiva. Um animal treinado, que teria como único inimigo o gato. Anúbis ofereceu aos humanos um exército canino, o único no mundo todo que poderia destruir a ira de Bastet.
  Após uma batalha sangrenta, os cães conseguiram subjugar os gatos, e o general de Anúbis, Tutmés, um humano que liderava o saque decidiu tomar a coroa para si. Como Anúbis havia oferecido vigor aos escravos, logo eles se tornaram soldados, e após a derrota de Bastet, defenderam a traição de seu general e se opuseram a Anúbis.
  O deus decidiu retirar seu exército no mesmo instante, jurando vingança à Tutmés, porém, com o Cetro Delta roubado de Bastet, Tutmés derrotou Anúbis, enviando-o de volta ao Duat, o reino dos deuses, escravizando os cães e os colocando como defensores do reino. Ingênuos, os cães aceitaram o domínio. Os anos se passaram e o cão ficou conhecido como o melhor amigo do homem.
  Após serem enviados de volta ao Duat, Bastet e Anúbis criavam seus planos de vingança. Anúbis criou uma raça especial de cães e os enviou para a Terra, para servirem de seus olhos diante das futuras gerações da família de Tutmés. Bastet criou uma nova espécie felina, que destruiria os cães e os humanos.


  Pele negra. Pêlos cor de ébano. Dentes a mostra. Beleza que caracteriza muito bem a sua raça. Khisen é um cachorro da raça pharaoh hound, ou cão do faraó em inglês, descendente de uma raça antiga do Egito, que se espalhou para o Mediterrâneo e para as regiões do mundo. E o que seus donos, Félix e Ravena do Brooklyn não sabem, é que Khisen descente do próprio Anúbis.
  Khisen era um cão muito vigoroso. Adorava passear e brincar com seus donos. E também era muito observador. Quando ia até a cidade, ficava de olho aguçado nos humanos, vendo as crueldades que eram capazes perante os outros cães. Em uma certa viagem à Nova York, até ficara sabendo de uma mulher que espancara um cachorrinho inofensivo no Brasil. E, refletindo naquela noite, Khisen jurou que deveria proteger seus donos, pois eles eram os poucos que eram cuidadosos e carinhosos com os animais, principalmente com ele. E foi nessa mesma noite que o fim do mundo para Khisen começou.
  Havia dias, ele havia avistado um gato muito branco, com olhos vermelhos ferozes o observando do outro lado da cerca, mas não havia sido instigado o suficiente para latir ou persegui-lo – até a noite em que ele pulou a cerca. Sorrateiro, o gato passou pela piscina e pela tigela de ração de Khisen, enquanto ele dormia. O gato subiu até a janela do segundo andar da casa e miou. Khisen acordou de ímpeto e começou a latir, remontando as suas origens, sua função primordial que era destruir os gatos, principalmente os fofos e brancos, que com apenas um miado solitário conseguiam invadir a sua casa.
  Khisen começou a receber menos atenção desde a noite em que o gato foi colocado para dentro de casa, à medida que seus donos decidiram criá-lo. Ramsu. Esse foi o nome escolhido por Ravena ao gato. Fora decidido que Khisen não iria mais entrar em casa, até que se acostumasse com o gato e parasse de tentar mordê-lo.
  Ramsu tinha um comportamento estranho. Certo dia, observando da janela, Khisen viu o gato acolhido no sofá, observando-o do colo do dono, Félix. O gato miou, um som tão agudo que foi como se apenas Khisen tivesse escutado – não, ele percebeu, não só isso. Foi enviado diretamente para mim.
“Fique fora disso e a morte deles será rápida, servo de Anúbis”, uma voz estridente ecoou nos ouvidos de Khisen. Ele latiu, a única coisa que podia fazer. Já havia sonhado com aquilo, era como um flashback. Só que no seu sonho, seu dono usava trajes antigos e sua dona tinha pose de rainha e a pior consideração lhe ocorreu: No sonho, os soberanos eram mortos por gatos.
  Ele latiu. Latiu por horas, até levar uma bronca de seus donos, durante a noite. Ele olhou para o batente da janela e lá estava Ramsu, com os olhos vermelhos brilhantes na escuridão.
  No dia seguinte, quando acordou, o gramado e as flores de Ravena estavam todas destruídas. Ao se deparar com a cena, Félix, se chateou e com um chute, mandou Khisen para o canil, dizendo que ele iria ficar sem comer, até se comportar. Porém, o cão sabia que aquilo era obra do gato. E sabia que aquilo era uma tentativa de afastá-lo de seus donos. O gato ia agir essa noite.
  Naquela noite, Ravena foi até o canil alimentar Khisen e libertá-lo do cárcere, dizendo que ele não tinha culpa, tinha feito aquele estrago por ciúmes de Ramsu. Khisen lambeu o rosto de Ravena e em seguida, partiu diretamente para a porta da sala, que estava entreaberta, uma opotunidade única. No instante que entrou viu o gato. Surpreso, o gato se metamorfoseou em um humanóide de dois metros com cabeça de gato. Um pingente em forma de delta brilhava em seu pescoço e Khisen sabia o que significava. No mesmo segundo, Félix adentrou o recinto e com um leve movimento das patas, Ramsu arrancou a cabeça do dono. Khisen correu para o jardim, a ponto de defender Ravena do monstro que fora acolhido em seu lar. Porém, assim que trespassava o batente da porta, Khisen levou um choque, vindo de trás, que o jogou do outro lado do jardim, de encontro com a cerca. Antes de ficar inconsciente, ele ouviu os gritos de morte de Ravena e quando tentou se levantar, caiu sobre seus dedos, que lhe pareciam diferentes. E então, a última coisa que viu, foi que estava amaldiçoado. Estava se transformando em um humano.


 Nota: Eu tive um insight com essa história hoje e pensei que seria legal apostar nela. Decidi dividi-la em três partes, depois de refletir muito sobre a moral da história e adicionar um pingo de mitologia, que é o que o povo gosta. Semana que vem posto a segunda parte. Espero que tenham gostado, aceito sugestões para a continuação, só deixar um comentário. Beijo!

Nenhum comentário:

Postar um comentário